Minha ansiedade, minha depressão e a relação com meus livros

Minha ansiedade, minha depressão e a relação com meus livros

Minha relação com a leitura vem de muito tempo. Sempre gostei de ler, mas de 2017 para cá esse hábito tornou-se ainda mais importante. Por quê? Foi nesse ano a primeira vez que entrei em um quadro de depressão e ansiedade. Tratamento psicológico, tratamento psiquiátrico para as medicações, afastamento do trabalho, preconceito de pessoas muito próximas; enfim, a vida de cabeça para baixo. A leitura se tornou meu refúgio, muito mais que entretenimento e aprendizados, ela me proporcionava uma fuga do mundo real, daquele onde tinha a impressão de estar enlouquecendo durante as crises. O tempo foi passando e consegui melhorar.

Neste exato momento estou me recuperando de uma 2ª recaída (a 1ª foi em 2019). Sim, a pandemia teve papel fundamental neste meu “tropeço”, e infelizmente sei que muitas pessoas tropeçaram junto comigo. Onde a leitura entra nessa história? Ela continua sendo meu refúgio, meu lugar seguro. Nos meus piores dias, fazia o mínimo necessário para minha vida continuar minimamente organizada (tenho uma filha e ela precisa dessa estabilidade, afinal, também não está fácil para ela) e o resto do tempo era sempre com um livro nas mãos, isso me fazia evitar pensar nas crises (meu auge foi ter crises por medo de ter crises, e isso aconteceu várias vezes durante o tratamento) e ter todos aqueles pensamentos que um depressivo tem, quem já passou por isso sabe como é. Terminei as leituras? Poucas, pois mudava o livro com frequência, sempre que sentia o foco diminuindo. Apenas agora, com as coisas mais sob controle, os separei e estou finalizando um a um. Também estou voltando a escrever mais, algo que eu simplesmente não conseguia, organizar as ideias fora da cabeça havia se tornado algo extremamente cansativo.

Nas crises ansiosas, aquelas em que nem conseguimos respirar direito e temos a impressão de estarmos perdendo o controle sobre nosso próprio corpo, tentava nomear as coisas ao meu redor, normalmente olhava para minha estante e olhava livro por livro, separando-os mentalmente em “lidos” e “não lidos”. Estou sempre com um livro por perto, seja ele físico ou no Kindle. Eles me dão segurança. Nossa, Roberta, que coisa de doido! Não, não é, é apenas uma das técnicas que o ansioso usa para tentar sair daquele momento tão assustador.

Mas você é Psicóloga! Sim! E sou humana também!! Se o preconceito já corre solto por aí, imaginem o que nós, psicólogos com ansiedade e depressão, enfrentamos!

Por que estou contando isso tudo? Estamos no “Setembro Amarelo”, e parece que durante esse mês as pessoas falam mais sobre situações como a minha (Vamos continuar falando e nos informando nos outros 11 meses, ok?). Estou feliz porque este texto é um dos primeiros que escrevo após tanto bloqueio criativo decorrente do meu quadro de saúde. Acredito que tornar pública minha luta contra depressão e ansiedade, ainda mais eu sendo profissional da área da saúde, pode ajudar algumas pessoas a não se sentirem sozinhas, acreditem, vocês não são os únicos a passar por isso. Sintam-se abraçados! Busquem ajuda!

3 comentários sobre “Minha ansiedade, minha depressão e a relação com meus livros

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *